sábado, 10 de janeiro de 2009
02
Naquela tarde.O mar espumante,e nervoso.Saltava feito chamas de fogo.As calçadas entupidas de areia.A água escorrendo pelas bordas da rua.Um monte de gente fascinada com o espetáculo da natureza.Um senhor que vendia alguma bugigangas,ora dizia calmo,ou em alto som:---Não tarda,e o mar toma o que era dele.Tudo isso,daqui---vai demarcando---até lá,era mar.Agora é asfalto pra carros passear.O mar volta e toma tudo.É dele mesmo.O povo parecia não querer ouvir,ou não ouvia nada.Com o barulho que faziam as ondas,não dava pra ouvir nada mesmo.Senão ver as pirotecnias feitas pelas ondas a mais de dez metros de altura.Perto dali,fica o hotel.Da sacada os hóspedes de binóculos,a olho nu.Observa o acontecimento.Na sala ao lado,Laert folheia um jornal.A notícia é do ínicio do ano.-- Dois homens,entram no banco,bem vestidos.Terno e gravata,aparentava ser homens cultos.Na noite de virada do ano ficam presos dentro do cofre.Do lado de fora,à porta perto de uma mesa,que continha restos de comida.Que provavelmente havia sido deixado pelos dois.Os homens já havia colocado dois sacos entupidos de dinheiro encontados na mesa.Mortos,foram encontrados pelos faxineiros do dia.Laert,lê muitas vezes.Depois dobra o jornal e o coloca pertos dos pratos em cima da mesa.Ouve uma voz bastante conhecida,e se vira:---Depois de tanto tempo hein Laert! Era Evair.berm vestido e mais moderno:--Se as pedra se encontram,que dira nós dois.Evair puxa uma cadira,assenta,pega o jornal:---Já li! Atrasado meu caro Laert.Não é do seu costume chegar atrasado.Que este jornal já tem quase um ano de impresso.O tempo deste lado do mundo passa muito rápido.Laert esborsa um rizinho,mas não retruca:--Quere dizer então que agora é pra valer mesmo?---Do que fala meu caro?---Chegou um pouco depois dos fatos.Agora não foi?---É,mais o que tem isso de importante? Aqui estou,aqui me firmo:---Já deu uma volta por ai?---Pra que? Pra ver as mesmas coisas.Nas cidades grandes,tudo é do mesmo jeito. Na rua,os carros berrando parecendo querer engolir as pessoas.As ondas já não tem mais a mesma altura.as ruas sujas de areia que se junta ao barro, que se junta ao lixo jogado,tudo numa mesma comunhão.Do alto balcão do hotel se vê melhor o caus.A impressão no dado momento,é que o mar engoliria mesmo a cidade,tal e qual dissera o ambulante.Mas,as pessoas não parecia comungar do mesmo sentimento.Era tudo uma festa só.Fotografias eram tiradas das ondas,das rua,do chão,até dos coqueirais ali existente.Era gente feito formiga andando de um lado a outro.Evair foi quem começou a descrever o fato:--Imagina se fosse hoje?Agora,neste instante? Imagina! tudo destruído num só segundo:---Não sei do que fala!---E veio aqui pra que? Passar ferias? ---Talvez! ---Se quiser,pode me dizer.Veio aqui pra que? Laert,desta vez não diz mais nada.A rua continua a ser envadida pela areia.O mundo parecia querer acabar naquele instante.O mar não dava trégua alguma.Evair fica cada vez mais nervoso,e sai do salão do hotel aborrecido. Barbosa ainda não tinha arrumado a maleta pra ir embora.Mesmo sabendo que lá fora o vendaval não dava passagem à ninguém.Que o mar havia saido do seu nível abtual.É quando Laert bate à porta.Ele abre,mas não com a alegria costumeira:--Me achou numa hora ruím meu caro Laert.Já me aprontro pra sair.Conseguiu chegar aqui como? A rua está uma pandemônio danado:---Vim a pé pela calçada.A coisa tá feia,mas deu pra chegar:---Vamos sair.No caminho lhe conto sobre o emprego,vai topar mesmo?---É um caminho.Vão conversando e andando ruma ao elevador:---Posso convidar o Andarde pra me fazer companhia? ---Deve,é bom para os dois.Andrade é forte,poderá lhe proteger se precisar.Você dorme lá em minha casa.Andrade no bar:---Por mim tudo bem.Resta saber se ele aceita;---Não tá fazendo nada:---Converse com ele,se aceitar,pago um salário minímo.A você vou pagar mais um pouco.Lhe darei casa e comida também. No hotel,Laert se veste confortavelmente e sai pra dar um passeio.Lá em baixo,Evair já de terno e gravata, conversa com alguma pessoas sobre o que ocorre ali.A rua cheia de poças d'água.Calçadas caíndo.Um caus total.A Cidade do Sol não ostenta mais o nome que tem.É sujeira pra todos os lados.A prefeitura não consegue conter por muito tempo as reclamações.Ainda que tivesse mil homens pra enviar,nada podiam fazer diante de tanta calamidade.Os turistas já não andavam mais pelas ruas com medo dos ratos,da peste,e das doenças provocadas pelos mosquitos.Nos aeroportos o caus era maior. Atrasos, ninguém conseguia informação precisa.Na televisão o presidente,o governador,pediam compreenção:---Isto é passageiro! Não há motivo pra tanta preocupação.--Dizia o presidente na tela da televisão.Parecia o juizo final.A cidade do Sol entristecera de uma hora para a outra.O mar revolto.A chuva que não dava trégua.Em meio a catrastrofe , camelôs vendiam capas,grarda-chuvas e afins. Laert dentro do hotem lia as notícias,e via o jornal na televisão.Evair,dele pouco se sabe.Saiu pra dar um passeio e não voltou.Laert,dentro da mata na sua cabana comia,depois saia pra catar as latinhas e vender.Não durou muito tempo a trabalho oferecido pelo Barbosa.Andrade,vendo que Laert era mais fraco do que ele,tomou-lhe o emprego.Barbosa ficou do lado do Andrade.Mais durou pouco.Uma ventania derrubou o prédio de treis andares onde estava o bar do Barbosa.Foi de noite.Andrade saiu correndo pra avisar os moradores.Uma ponta aguda de uma estaca atravessa-o ao meio.Não sobrou nada do prédio.Agora Laert,sobrevive de catar latinha.A noite recolhe comida do lixo pra não morrer de fome.A latinha é muito barata,mal dá pra comprar algum uténcilio para o complemento da alimentação
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