segunda-feira, 5 de maio de 2008

02

Seu Chico me disse: Cê tá é ficando velho.É hora do moço começar a pensar em casamento.Vem uma mulher nova,e abate o seu coração.Assim é que é.
Ô gente!Se a vida tá boa pra mim assim.que quero eu mais da vida?Casar?!!Deus me livre,quero casar não.Procurar sarna pra coçar é que não vou.Homem que nem a mim,mulher deixar é no osso.Depois de fazer da vida da gente um crematório só.Quero casar não!Aí,vem os filhos.Filhos a gente não pede,eles vem!depois de criados o que fazem?Rumam pra capital.Lá vão eles conquistar o mundo deles.A gente fica velho e só. nessa hora que a gente precisa dos filhos?Cadê eles?...A gente fica é sozinho mesmo.Quem vai recompensar os anos de limpação de bosta?Dos choros?Das noites que a gente não dorme cuidados?Sozinho me viro melhor.Um boi só solto se lambe todo.O boi preso,nem consegue lamber as orelhas. Quero casar não!É um sacrifício´fazer a tal da cerimonia.Dizem que o dinheiro gastado,daria pra gente comprar uma fazenda,com tudo dentro.Mulher custa muito caro.Não caso,não caso mesmo! Num é por causo disto? É Chico,o senhor não tem pra onde correr não!Edvaldo estava assentado numa pedra à beirada da estrada.Ergueu o pescoço,viu aparecendo na curva Chiquinho,montado à cavalo.Quando o rapaz se aproximou,Edvaldo levanta e ri:-Tá aí fazendo o que? Me esperando?Não disse que ia não querer ninguém me esperando? - Seu pai me paga é pra seguir suas pegadas:-Se eu gostasse disto:-Tem que gostar não.Apeia,a gente tem de ter uma conversa:-Pra que? Amonta,conversamos e andamos:-Gosto não.O cavalo sacoleja muito.Então apea.A gente puxa o cavalos e caminha.-Chiquinho acaba sedento.Começam a caminhar:-Seu sabe daquela mulher casada que entrou c'um ocê no mato?-Tem de saber de nada.Da minha vida cuido eu:-É muito perigoso.Cê sabe que o marido dela não é homem de levar desaforo pra casa:-Tem o mesmo que eu tenho.A mulher é que vivi me arreliando.Sou homem,não posso ficar por ai falado.Ocê sabe que todo mundo anda falando d'ocê.Quer me ver assim também?Mulher pediu,homem que é homem tem de atender ora!Que culpa tenho eu se o marido não dá conta do negócio dela?-Edvaldo contém a fúria:-mulher casada é pano pra caixão:-Ora Divaldo! ocê e o pai devem andar com o baú cheio se for isso:-Mas ocê ainda é moço.Não deve brincar com a morte:-Vai me dizer que não gosta de uma linda mulher,pondo a boca quente no seu instrumento de homem.Se não gosta,deve experimentar.É melhor que goiabada com queijo.A demais ela é muito fogosa e não me quer fora:-Vi ocês dois nuzinhos dentro do mato.Vi muito bem o que os dois faziam um no outro:-Ficou inchado de inveja.Pai disse que disto ocê não gosta.Mas, de expiar gosta.Deu amenos pra levantar o seu?-Nesta hora.Edvaldo cego de ódio.Puxa a arma,descarrega a arma no peito de Chiquinho,sem que ele tivesse tempo de se defender.Olhar para o alto.Solta um grito de dor,misturado com lágrimas.Pega o corpo,retira-lhe toda a roupa.Ali perto numa árvore,uma corda esperava amarrada ao galho.Edvaldo enrola a corda no pescoço do rapaz.Dependura-o ,no galho da árvore. -Disse edvaldo:-
Tenho pra mim, que o maldito numa hora desta,já tá na capital.Aqui é assim,quem mata corre pra capital.Caçar lá,é como procurar agulha no meio de palha de arroz:-De jeito nenhum Divaldo! Amanhã mesmo ocê vai caçar esse cão danado com os policias.Quando eu puser as minha mãos nele.Corto-lhe a garganta com uma gilete:-Que Deus o livre de eu encontrar primeiro.Vou cortar os documentos deles e salgar:-Quem vai pegar primeiro sou eu.Afogo o cabra no barril de água até ele não puder mais:-Longe do senhor tal maldade.Eu é quem vou retalhar as carne dele feito porco:-Vamos parar com isto Divaldo.Tá é aumentando a minha raiva.-Neste instante ouve-se um canto em crescente:-Já vai sai o enterro.É a hora da derramação de lágrima.Pra mim doí,que sou pai.Ainda mais sendo filho único.Pior é pra Merenciana que é mãe.Um filho perder a mãe,doí,mas não doí tanto.Uma mãe perder o filho é que é lascado.Vai lá Divaldo,amarra o cordão no corpo dele:-Eu não Chico.É parente que deve fazer isto:-Ih ocê num é que nem irmão.Pra mim,ocê é o meu filho mais velho.Vai,vai!Edvaldo sai meio embarrado.Vai e coloca o cordão de São Francisco.

01

Edvaldo,retira o carro da garagem,sai rumo à cidade.Os dias de fazer as compras pra fazenda é assim.Ele pega o carro,sai muito cedo.Compra tudo aquilo que tem pra comprar.Já de tarde,volta.No dia das compras,Edvaldo almoça na cidade.Visita os companheiro.è como se o dia fosse um dia de folga.Logo que chega perto do armazém,perto da pracinha,fica a pensão de Dolores.Ficava,naquele dia,a pensão estava em chamas vivas.O fogo alastrando,comendo tudo o que podia comer.Dolores e Zé João salvando o que se podia salvar.Amontoava as coisas do lado de fora da rua.Entrava correndo em meio a chamas ardentes.Era impossível dizer a eles que parassem.Dolores enxugando as lágrimas,corria de um lado para o outro.Edvaldo comovido com o carro parado em frente.Só podia observar.Muitas gente em pé em cima dos bancos da praça.Gritavam para Dolores deixar pra lá os restos.A pensão cairia a qualquer momento.Até que caiu tudo de uma só vez.Dolores parada e Zé João do seu lado olhava para os restos sendo consumidos pelo fogo abrasador:-Agora é esperar que Deus dê outra casa pra nós ? -Que Deus zé,tem Deus não.A gente é que tem de arregaçar as mangas.Esperar por Deus! Espere e morrerá com os dentes grudados no meio fio.Deus não gosta de pobres nem de quem trabalha.Deus ama os ricos e os maus.Bons e corretos dá nisto aí. Dos pobres,nem os amigos se lembram,quanto mais Deus.-Aponta pros restos caindo pau-a-pau:-A gente tem é que reconstruir Zé João! Reconstruir! - Ou esperar que o seguro cubra tudo não é ?-Que seguro? Está coisa estava segurada só pelos paus mesmo.E pára de me chamar de que eu não gosto.Edvaldo ligou o motor do carro.Foi para da venda que ficava perto da pensão.Pensando bem,pensou Edvaldo.Melhor é ir no armazem primeiro. Entrou no armazém.Fez todos os pedidos.Equando o dono lhe preparava as compras.Saiu rumo à venda.Cumprimentou o dono da venda da porta mesmo.Olhou para o cais.O mar agitado parecia querer sai do seu leito costumeiro.edvaldo entra.Pede um copo de cachaça.O dono começa a conversa:-sou do acontecido Divaldo?-Acontecido de que? -Um mostro tem comido o pescoço das moças daqui ora.Tá todo mundo com medo de sair de noite.É quando o cão ataca:-Um cão danado?Passa um tiro de revolver na cara dele ora.Areuna os homens e mata o tal:-Procê que mora longe é muito fácil falar.O coisa ruim é que nem fantasma.Mode mata e some.Ninguém vê.Só no dia seguinte,que a coitada aparece com a garganta corta e o corpo com um furo no peito em cima do coração.Outras,nem coração tem.O mostro come o coração dela.-Crem Deus padre! De gente viva tenho medo não,mas de assombração tenho.Já pensou mirar naquilo que a gente não pode matar!-O dono da venda franziu a testa,chamou Edvaldo mais prum canto: - Chico veio aqui na semana passada:-Quando ele some,é certo que vio pra cá.Que segredo há nisto?-Ele disse que ocê não gosta de mulher.Que oçê é flozô.Uma homem na sua idade já era pra ter casado,ter um mote de filhos.que é o que os homens daqui faz.-Edvaldo,ficou branco feito uma cera:-Num brinca com uma coisa dessa moço:-é brincadeira não.O homem disse e riu muito.Até pediu pra ninguém fazer comentário.Muito menos falar com ocê disto.Olha só lhe falando pra ocê vê, que a gente não pode confiar em patrão nenhum: Podia ser uma brincadeira:-Que isso Divaldo.O homem serrou a cara e tudo.Contou letra por letra.-Edvaldo,pediu mais um copo de bebida.Não era mais o mesmo Edvaldo que entrara naquela venda.De volta ao armazém.Pegou as compra,saiu cantado pneus.