quinta-feira, 21 de junho de 2007

04

Passou, como passa o tempo.Como passa o vento e a tempestade.A fora momentos de gozação.Tudo parece igual. Levará muito tempo pra esquecer a cena do jovem morto,de membro rijo apontando pro teto do banheiro.A cidade inteira comenta .Mas, passa,tudo passa, e a vida continua atracando com o tempo.No bar do seu Zé a coisa não é de outra forma.Onofre toma alguma bebida,enquanto ouve os fatos. - Todos lá,de frente pra que la coisa. - disse seu Zé. - Nunca vi abominação maior.- Retrucou o outro como o copo na mão. - Alguém devia ter colocado algumas flores ali.Pra cobrir,pelo menos aquela parte. - Ia ficar pior.Não acha Onofre? - Acho nada não seu Zé.Tem coisa que é melhor não achar. - Mulheres,nunca vi tantas.Aqui minha gente,não tem meninas bonitas como aquelas.De que lugar saíram? -é não perdeu tempo na explicação.- O motivo é óbvio.Notícia corre.Muitos queriam saber,mas,nada se explicou.- Um viciado é o que se ouvia pelos cantos.Morte horrenda.Já pensou Onofre,morrer castigando o coitado.Morreria assim? - Eu?...tenho quem faz o meu adormecer.Não preciso disto.Bom seu Zé,coloque na minha conta.Vou fazer rastro.Melhor não.- Retira o dinheiro do bolso.- Não se sabe o dia de amanhã.- Onofre sai.Os dois homens continua o comenta rio.- Esse ai anda meio jururu.Tão dizendo que é por causa do leca.Seu Amancio até hoje nem as caras deu.- É seu Zé! Esta cidade está esquisita de uns dias pra cá.Se até morrer de estaca empinada se morre,imagina o que mais pode vir por ai!Depois o homem também sai do bar.Cada um dos moradores tinha um comentário sobre o assunto.Dona Ceição,penteia os cabelos de frente para a penteadeira.Dentro do quarto,um armário,cortinas sobre a parede que ostenta uma porta do lado do armário. - Ainda bem que cessaram os comentários.- Dona Ceição fala como se estivesse pensando.- Pudera! Depois de três meses e mais.Tinham que dar um tempo.O viciado tinha que ficar daquele jeito? Se tivesse comentado comigo a necessidade de mulher.Tinha ajeitado uma pra ele.Sei que homens precisa se manter no prazer.É o desejo da carne...daquele jeito!!! Algumas mulheres aconselharam-me a cortar.Do jeito que estava era muito feio...gente vindo de tudo enquanto é canto,só pra ver aquilo...não,eu não podia cortar.O povo desta cidade tinha de ver com que tipo de gente,eu convivia aqui.- Bate na porta.- Entra!- Nicinha entra.- Mandou me chamar pra que?- Dona Ceição,Pará de pentear os cabelos.- Senta ai no banco.-Pega de dentro de uma caixa um vestido.- Gosta?- Nicinha olha,ri e diz.- Bonito é! - É seu! De noite quero te ver a mais bonita menina do mundo.- Pra que? Se está presenteando,boa coisa não é.- Nada diz a Dona Ceição,apenas observa-a atenta mente.-Vem hoje um jovem para conhecê-la.Quero te ver bem.O homem...tem a sua idade mais ou menos.É pra casar mesmo.Vá,vá! Tome um bom banho,se vista.Ele a visitará a noite. - Parece que a senhora se esquece,ou não presta atenção.Deus me livre ficar devendo alguma coisa. - Preste a atenção menina.A gente come é quando tem fome.A sua hora é esta,aproveite.E,não meta Deus no meio disto.Em gente miserável,Ele não presta atenção.É de gente poderosa e rica que Deus gosta.Já viu algum rico,ladrão rico.Corruptos e afortunado indo pro cemitério,ou até mesmo pra prisão?Esqueça Deus se quiser ser feliz e alguma coisa nesta vida.Ela fica pasmada com as mãos na boca.- Conversa de burro Deus não ouve.Imagina se ouvisse Dona Ceição?Dona Ceição não reaje.Olha apenas pra menina estremecida,depois de tanta besta ira dita.Nicinha pega a caixa com o vestido.Sai para o seu quarto.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

03

É uma manhã calma e tranquila.Não fosse as coisas bobas da vida bandida de cada um dos personagens aqui descritos.Como sabemos,os personagens são criados para as peças teatrais.Assim se cria a vida para o tablado.Assim se descreve o assunto aqui descrito.Embora soubéssemos quão fácil é para um autor descrever seus personagens.O que importa,não é o personagem,mas,a história,afinal,não há personagem sem uma história.Ainda que seja os da vida real.Todos têm uma coisa boba,ou fantástica para contar.Uma andorinha sozinha,talvez não faça....é pura bobagem. O céu começa a ficar escuro.dizem que quando a chuva faz círculo na horizonte.Circulando a terra de ponta a ponta.É chuva torrencial.Se a chuva começar antes do meio dia:quer dizer que só Pará as seis horas.A hora do Engels.Se assim for, e não parar as seis.Pode esperar chuva a noite inteira.Com a tempestade formando no horizonte.Então,salve as águas que vão rolar.É finda a hora do jantar.Dona Caiação retira os restos e pratos da mesa de jantar.É quando aparece na sala,de toalha nas costas:Mar quito,Dona Caiação acha aquilo estranha,pergunta em seguida.- Vai aonde de toalha nas costas? - Tomar meu banho diário.É de noite,a gente tem que se lavar pra dormir gostoso. - Com o temporal que está fazendo lá fora.Se lave lá na rua.É água menos que desperdiça. Nunca ouviu dizer que tomar banho depois de comer é perigoso?Mar quito não dar ouvido.Sai caminhando em direção ao banheiro.Entra tranqüilo.Retira a roupa todo.Liga o chuveiro.Olha pela vidraça, a chuva escorrendo pelo vidro.Começa ai o ritual de todas as vezes que entrou para tomar banho.Se acaricia longa mente, até ficar totalmente de membro rijo.Enfia-se lentamente em baixo agua.Faz como se estivesse acompanhando os movimentos de uma fêmea.Os gemidos saem quase sem sentir.O sobe e desce aumenta com os movimentos lentos e sexuais.Até que num gemido quase grito,sente o corpo despojar-se dum intenso calor,e o gozo sai duma vez só.Como a erupção do vulcão queimando a relva miúda em seu redor.Olha nove mente pra fora,vê a chuva miúda contínua,lavar suavimente a vidraça empueirada.Encostado no azulejo diz: - É...a chuva lavou a rua!Pouco a pouco,seu corpo começa a suar,de seus pés saem chamas feito brasa.É quando sente petrificar-se.Tem vontade de gritar.Não pode,é inútil,o grito está preso na garganta.Sente seu corpo ser inundado por algo desconhecido.Vai lentamente deslizando no azulejo, as mãos se derrapando na parede .Chega ao mármore branco do chão escorregadio,como se deslizasse numa pedra de uma correnteza.Seus olhos fecham num declínio seco,como se fosse dormir e acordar.Mas,aqui o sono é profundo.Jamais acordará outra vez.Marquito,corpo nu, membro rijo apontando para o teto,está morto.Parece boca do mal,a de Dona Ceição.O jeito,tomar banho após jantar,talvez nem fizesse mal algum.O mal está na contra partida.No ato solitário, ou na prática continua. O que sabem do prazer?Não ninguém morre assim por ter tido prazer,se fosse de forma correta.É da descarga.Do...certo é que Marquito morre e continua ali,de membro rijo apontando pro teto do banheiro,como se nunca quisesse morrer.A chuva passa .A chuva talvez tivesse razão.Tivesse a verdade que só ela conhecesse.O chuveiro também continua com pactuando e lavando o corpo ali estendido no solo do banho escorrido pro ralo.Não há sangue,não há outra coisa senão água escorrendo.Nenhuma gota de sême ficou pra espiar.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

02

Dona Ceição,vinha descendo a rua,Laert ia subindo. Esbarram-se, cumprimentam-se com o manear de cabeça.Do seu lado,duas meninas carregando as suas bolsas.Nicinha é quem parecia afobada.caminhavam a passos largos e constante.Na praça,de um lado a sorveteria,do outro a igreja.Elas entram na igreja.Demoram algum tempo.Saem conversando com o padre,que as acompanham até a porta.Dona Ceição e as meninas,beijam a mão do padre.Entram na sorveteria.Pede sorvete para cada uma das meninas.Enquanto as meninas tomam o seu sorvete.Dona Ceição,toma a calçada da rua.Anda quase correndo,anda cumprimentando os transeuntes.Finalmente,Pará frente a um portão de grades.É uma casa antiga,com escadaria à mostra.Aparece um servi sal que lhe abri o portão.Ela sorri.Ele aponta para os fundos,ela caminha apressada pelo caminho do jardim.No fundo,um jovem,bem aparentado,cabelo aparado e elegante.Estende-lhe a mão.-Esperei feito louco a chegada da senhora.Como demora hein!-Coisa boa tem tempo certo meu jovem.Não se planta uma fruteira agora,pra desfrutar na mesma hora.-Estou nervoso.Meu pai nem pode sonhar!Embora ele me tenha alertado sobre o caso,mas ainda assim;é do sigilo que aprecio.-pode deixar,não sabe com quem está negociando meu jovem.Deixe-me ir,deixe-me ir!As meninas sentadas observavam os quem entrava pra comprar sorvete.Nicinha deu um grito de alegria quando avistou Dona Ceição dobrando a esquina. -Quer chamar atenção menina? É disto que gosta,chamar atenção? Vamos,temos muito trabalho pela frente.E você Menina,me ponha pra esta noite um vestido bem festejo.Quero lhe ver e não crer no que vi.-Nicinha quer saber o motivo.- Temos festa hoje,é?-Pra dois! É festa do mesmo jeito.É pra dois! Chega de me atarantar de perguntas.Se digo que é bom,é porque é.Sobem a ladeira tomando mais sorvete e contentes.Quando chegam à pensão.Há um tumulto diante da porta do banheiro.Dona Ceição pergunta a alguma das pessoas amontoadas na porta do banheiro com a toalha nas costas.-É fila pra banho hoje?-Pois não o diacho do Marquito encerrado ai dentro.-De novo?-Ela esmurra a porta e grita.Marquito sai tampando a frente com a toalha molhada.-Diacho de gente afoba da.Acabei de entrar,já estão ai esbofeteando a coitada da porta.É um tempo pra cada um.-As pessoas agora disputa a vez de entrar no banheiro.Dona Ceição,dirige-se aos seus aposentos.A confusão continua,até o último entrar no banheiro para o seu banho.Laert sentado na cama,folheia o livro de capa azul.Apaga a letra N.Fecha o livro.Pega outro para leitura.Deita na cama e começa a ler. Pega novamente o livro de capa azul.folheia-o,apaga a letra M.Sorri,como quem tivesse esquecido algo.Pega o livro que antes lia.Deita novamente,recomeça a leitura.