segunda-feira, 30 de abril de 2007

O FUNERAL DAS ILUSÕES

O FUNERAL DAS ILUSÕES

O dia nascia e gotas de orvalho salpicava ramos e lâmpadas.A neve que caía embebecia de beleza o local sujeito às normas do ar.Como se um fundo musical penetrasse a atimosfera,e o tempo ocupasse do desfecho final.A passos lentos,dois homens carregando o tronco de um corpo e o anãozinho colocava a cabeça dentro do alforje. Segia o cortejo estranho.Um público invisível ia vaíando, aplaudindo a rir, a chorar.O anãozinho olhava,como quem olha para além, e sorri cinicamente. Adiante,uma ruela encurvada, o seu fim se afixa numa enorme porta.No centro,há uma argola.Alguém a passos rápidos,desce a ruela,chega à porta,toma em suas mãos a argola,dá com ela na porta com veemência.Aparece um homem que o corrige comcerta fúria.Eles entram,no fundo,há uma mesa grande.Algumas cadeiras a sua volta.Bem no centro um senhor de barbas branca observa o que chega:--Esta consumado! Está consumado! Saem as palavras quase como vômitos.O senhor,estica o braço,pega um telefone quase imperceptível,disca um número:--Pode vir,a hora é agora!-- Algum tempo depois.Num pátio,uma coivara era feita.Nela deitado estava o tronco do corpo e a sua cabeça.Quem olhasse de supetão,não percebia a diferença.Ouve-se ruído de cascos de cavalo,os homens e o anãozinho olha, vê uma carruagem parar a alguns passos dali.Um homem bem aparentado, desce com uma maleta bem segura presa às mãos.Olha a coivara ardendo em chamas.E o fogo, lambia com volúpia as palhas secas.O anãozinho solta o rizinho de deboche misturando irônia a cinismo.Em seguida voltam a olhar paa o estranho.Ai,o homem,desce a ruela.Dá coma argola na porta.O mesmo homem de antes, abri a porta.Conversam baixinho.Encaminha-o à uma sala cujas paredes eram cobertas de livros.Nos quatro cantos da sala as estantes aos olhos do visitante parecia um monumento.Ouve-se uma porta abrir.O senhor de barbas branca,adentra o recinto,fixa-lhe o olhar:--Laert é o teu nome,não é?-- Antes de ouvir a resposta,encaminha-se à uma mesinha de canto.Abri uma gaveta,retira dela uma maleta:--Aí está tudo o precisa.Caso!...Só caso,precise de mais.Tem endereços e lugares.Dizendo isto,despede-se dele. Naquela hora da noite.A chuva parecia não dar trégua À beira da pia,Laert passava água nos copos demoradamente,com os pensamentos catucando-lhe a mente:--Se ela pensa que vai ser assim...assim não fica.Dou uns trocados,pra não dizerem:ele saiu devendo.Arrumo o pouco que ainda me resta.Vou,sei lá pra onde.-Ouve um dos garçons à beirada do balcão aos berros:-hei,acorda!Hora de trabalhar é trabalhar! Ouvia ao longe música saindo das caixas de som do salão.Laert,como quem ouve,mas,não ouve,atende-o apressando os pedidos.Sem comentar a ofensa,o garçon pega os pedidos,e sai resmungando. Dentro do navio,Laert,examina cuidadosamente alguns documentos.Pega um,lê atencioasamente,depois coloca-o no lugar de onde o havia tirando.A viagem seria longa,não fosse uma baldeação feita a poucos metros da chegada.Para um navio de porte pequeno, e caindo aos pedaços,até que se saía bem no encontro com as ondas do mar.Mergulhado em seus pensamentos,Laert não nota uma senhora vindo ao seu encontro:--O senhor gosta mesmo deste ruído de mar?vejo-o a horas olhando para cima e para baixo. Anda à procura de algo? Nada responde,a mulher continua falando,falando:-Posso me assentar?-Vai assentando assim mesmo:-Dizem que na cidade tem um monstro,um canibal.A cidade que a gente vai passar a noite.O comandante disse que o tal do vapor só chega lá pela noite.Quer dizer,a gente passar a noite lá com o tal monstro.Deus me livre!Do quarto,não quero nem sair.Se me der licença,vou...prefiro esperar lá no quarto mesmo.O momento da troca de barco já vem se aproximando.--Ela diz isto quase no mesmo tempo em que entra um passáro e pousa na aba do barco--Deixa Laert, olhando para os lados.Ele ri,assente com a cabeça e continua a olhar fixamente para o mar.
É a hora de Laert deixar o trabalho.Pega a sua mochila,sai se despedindo dos colegas.A impressão que ficava,era de nunca mais voltarà quele lugar.saudade,não,não sentiria.Caminha pela calçada com passos lentos.Chega ao ponto do ônibus,que demora um pouco a chegar.Durante a madrugada os ônibus só de hora em hora passam.Muita espera depois,chega o ônibus.Ele embarca para casa da sua tia.É na cidade do Sol que é seu destino vai se resolver.Deus há de perdoar-lhe os pecados não cometidos.Os erros não cobiçados.As vezes que nunca pecou contra coisa alguma.lá,por certo seu futuro será próspero e farto.Daí à pouco,pensamentos sorrateiros assolam-lhe a mente:-Trabalhei tanto que nem tive tempo de me lembrar do sonho da noite anterior.Engraçado! Vi um corpo sendo carregado por dois homens,sem a cabeça.Depois,estava eu numa carruagem....carruagens nos dias de hoje? É,sonho a gente não situa.É assim mesmo.Mas,o sono vem lhe roubando as forças.Os olhos vão se fechando lentamente,até que,dorme recostado no encosto do ônibus.