segunda-feira, 21 de maio de 2007

02

Laert sobe as escadas depois de um longo dia.Entra no quarto,dá uma longa olhada pela janela.Vê o navio ancorado.Os passageiros voltando para o hotel ali perto.Senta na cama,abri a maleta que andou consigo dia a fio.Retira de dentro um livro capa azulada.Está escrito em letra garrafal dourado.Abri-o,folheia-o vagarosamente até encontrar no índice,a letra M.Apanha uma borracha,apaga o nome.Depois, folheia-o novamente,desta vez é a letra E,apaga o nome.Folheia mais.Pará na letra L.Apaga o nome. Marca a página na letra L. Num segundo,ouve-se gritos,vindo da parte de baixo do salão.Chingamentos.Bate-boca, e...um silêncio total.Daí a pouco gritos novamente,desta vez vindo da rua.Ele fecha o livro.Veste-se,sai carregando a maleta.Quando chega ao salão,Zé João vem ao seu encontro:-É Dolores! Tava aí agorinha mesmo me chingando,como faz sempre.Assim,assim!Deu uma rodopiada,ficou tesa e caiu morta,assim,assim!Que faço eu agora sem os chingos da Dolores meu Deus!Laert,ouvi,vê Dolores caída no chão.Sai lentamente rumo à rua.Ouve assobios,alguém dizendo psiu! Olha,é àquela senhora do navio:-Esperei aí ô,seu...seu!- Laert Pará:--Deus me livre desta cidade.O vapor programado pra partir,não sai.Houve um mal entendido,estancados estamos por mais uma noite.O senhor imagina como quero me ver livre disto aqui.Agora vou ter que pernoita. dá pra me ajudar com estas malas?-Laert ri,pega uma das malas,acompanha a senhora até o hotel.Ao passar pelo armazém,Laert,notaEdvaldo embriagado,contendendo com o moço que perdeu o carro do circo.Edvaldo quase não conseguia parar em pé.O moço feriu-o com uma garrafa.Cai Edvaldo cambaleando,morre em questão de segundos.O moço saiu correndo.As poucas pessoas que presenciava o ocorrido,nada entenderam.foi tão repentino.Laert,olha em volta, fica mais alguns minutos ali a olhar a cena,depois segue a mulher, que não gostava nada de ter que ficar estanca da feito água presa, na beirada da rua.Não diz,mas se perceber a ironia no seu rosto.Devolvelhe-a a mala na porta do hotel.Ela entra,nem agradece.Ele segue o caminho rumo a casa de Lap.Há um morto na do entrada do portão que estava aberto.Laert olha pros lados.Olha pra dentro do quintal.O que vê é um punhado de gente andando de um lado para o outro.No centro,o corpo estendido à beira do chafariz.Nada pergunta,segue para a entrada da casa.Entra na sala,ninguém lá para segui-lo.Vai entrando.Há na parede muitos livros.Ele toca num dos livros.Imediatamente uma porta é aberta.Ele entra.Lá dentro,no centro do quarto,um quadrado lhe chama a atenção.Não havia cama,só o quadrado bem talhado,com alguns querubins em cada canto.A parede de madeira talhada em jacarandá.Uma pia num canto,duas torneiras de ouro,em cima da pia de porcelana.Um porta na lateral,é aberta.A garotinha de cabelos cacheados,adentra no quarto.Ri,faz psiu com o dedo:-Esta dormindo!-A ponta pro quadrado:-Se quiser posso acordá-lo.Só eu posso.Ele não se zanga.-Dizendo isto,aperta no canto um botão.As portas abrem, uma a uma,num delicado zunir.Tal qual o zumbir do bater de asas das aves.Ela alisa o rosto dele com delicadeza.Ele acorda.olha em seu redor,ri e começam a conversar:-Veio de novo como a brisa vem.-Olha,vê Laert parado diante da cama.Ergue-se,ri novamente entendendo o que do seu acordar em uma hora errada:-Laert o seu nome,estou certo?-Ele responde com a cabeça que sim:-Queria conhece-lo.Não desta maneira,de cara sonolenta:-Estive com o seu pai:-Sei que esteve.O Leo contou-me.Ele vai bem?-Está morto,deve está bem:-Entendo!Não quer se sentar?:-Estou por pouco.Seu pai não era bem o seu pai.O verdadeiro era irmão de sua mãe.Foi influenciado pelo seu atual pai.Ele a estuprou,ela engravida.Ele comete o suicídio.Depois de ter a criança,se mata também.Ponto final:-É pra rir ou pra chorar?:-Depende do momento,ou do caráter:-És corajoso!Invade a privacidade alheia,conta um fato inegável,depois me espreme, como se eu fosse laranja?-Vai andando até a pia.Coloca algumas gotas de água no rosto.Quando retorna,os seus caninos estão ponte agudo.Vai deferir o bote,quando Laert pega a menina,colocá-a na frente.Seus dentes são cravados no pescoço da pequena menina.Laert,coloca a criança na cama,enquanto Lap começa estrebuchar no chão:-Sabia que eu não podia,foi por isto não foi?-Laert nada responde.Abri a maleta,retira de dentro o livro.Abri na página marcada,apaga o nome.Lap não diz mais nada.Laert pega um bisturi,decepa-lhe a cabeça,separando-a de seu corpo.Coloca o corpo na cama.Faz o mesmo com a menina.Retira da mala um isqueiro,coloca fogo nas bordas da cama,queimado os lençóis e cobertores.Aperta o botão,as portas vão se fechando lentamente.Das frestas,a fumaça sai.Ele Pará em frente a porta por onde a menina tinha entrado.A fumaça vai inundando tudo,até que nada se vê no recinto.Do lado de fora um corredor comprido.uma única porta aberta.Ele entra,vai dar num quarto que termina no cume da escadaria.Ele desce a escada.Vai se preparar para sair.A criada o vê,ele pergunta:-O seu patrão?:-Morto:-O outro.-Retruca Laert:-Dorme,aquele lá vira a noite nas festas,dorme até chegar de noite,pra sair de novo.-A fumaça começar a empestear o local:-Meu Deus a cozinha!-Laert agarra-a pelo braço:-Deixa que eu vejo para ti.Vai pro quintal.-Ela obedece.Mas Laert sai em direção a rua.Em poucos minutos, vemos a mansão se acabar em chamas.

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